Porto Alegre, domingo, 1 de novembro de 2009
Livros: Editora Record traz de volta "O português que nos pariu"
 
Publicado originalmente em 2000, quando que se celebravam os 500 anos de descobrimento do Brasil (ou “achamento”, como preferem hoje os portugueses), "O Português que nos Pariu", de Angela Dutra de Menezes, apresenta uma nova maneira de encarar a História de nossos antepassados lusos. Depois de percorrer o trajeto de volta à terrinha, onde ficou mais de seis meses nas listas de mais vendidos, o livro – best seller também no Brasil, adotado por escolas e universidades –, com mais de 50 mil exemplares vendidos, ganha agora uma nova edição pela Editora Record, revista, atualizada e ampliada pela autora, com textos inéditos. Com uma linguagem bem-humorada e sem a rigidez dos livros didáticos, a autora narra os fatos e personagens que marcaram o descobrimento do Brasil e moldaram, de um jeito ou de outro, o caráter brasileiro, ao mesmo tempo em que presta uma homenagem às origens portuguesas de sua própria família materna. “Enquanto todos refaziam o trajeto das naus de Pedro Álvares Cabral, da Torre de Belém ao Monte Pascoal, ela propôs justamente o contrário neste saborosíssimo O português que nos pariu. É como se, sem a menor cerimônia, um audaz grupo de índios pegasse uma piroga e desembarcasse nas margens do Tejo para ver de onde, afinal de contas, tinham saído aqueles homens brancos de hábitos estranhos. Enquanto todos buscam os contornos pretéritos, presentes e pressagos da terra descoberta por Cabral, Angela explica Portugal”, diz o jornalista Arthur Dapieve no texto de orelha do livro. A pesquisa histórica e o humor são marcas registradas da autora, que nos revela, com orgulho, que nossos antepassados portugueses foram grandes e audazes, desenvolvendo a ciência náutica nos anos 1440/1550, desbravando mares, conquistando continentes e avistando nossas terras antes de quaisquer outros. Foram os responsáveis pelo conhecimento das marés, correntes e regimes de vento, pela evolução da astronomia e da cosmografia, pelo desenvolvimento dos instrumentos essenciais à arte de navegar. Os portugueses lançavam-se aos oceanos ou permitiam que outros fossem, fornecendo-lhe informações, rotas e tecnologia.
Cansada de tropeçar em livros de História estrangeiros que, solenemente, ignoram a existência de Portugal, Angela decidiu colocar no papel os “causos” mirabolantes que contribuíram indelevelmente para a história e a cultura de nosso país. O grande Afonso Henriques e seu insolucionado Complexo de Édipo, Dom Henrique, o navegador que não sabia navegar, Pedro Álvares Cabral, que “achou” o Brasil assinando o nome Pedro Álvares Gouveia – só virou Cabral após a viagem –, e a valente e mal-falada infanta espanhola Carlota Joaquina. A Escola de Sagres, a Reconquista, a Inquisição: estão todos e tudo lá, sob uma nova perspectiva. A autora nos convida, pois, a conhecer o português que nos pariu. Afinal, quem era ele? A receita etno-culinária está nas primeiras páginas do livro, com pitadas de bárbaros, romanos, celtas, mouros, judeus. Porque o português que nos pariu na verdade foram muitos, destemidos, engenhosos, laboriosos — mas definitivamente engraçados, mesmo fora das piadas que insistem em associá-los aos papagaios locais. Angela Dutra de Menezes é escritora e jornalista, além de mãe e avó-coruja. É autora dos romances "A tecelã de sonhos" e "Santa Sofia". Com obras publicadas em Portugal e na Espanha, Angela se caracteriza pelo texto ágil, lírico e bem humorado. Ela está sempre à disposição dos leitores em dutrademenezes.blogspot.com.ela
 
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  Diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo defende a Lei de Licitações. "Combate à corrupção exige novo código penal"; por Vandson Lima/Valor Econômico  
  Se um agente público recebe cheque de uma empresa, deposita-o em sua conta pessoal e depois o órgão em que está lotado assina um contrato com essa empresa o crime de corrupção não está provado. Para isso, seria preciso provar a intenção de corromper. Cláudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil, organização dedicada ao combate à corrupção, credita a esse capítulo do Código Penal uma das principais lacunas da legislação brasileira no combate à corrupção. "É preciso reformar o Código de Processo Penal e tipificar os crimes por suas evidências materiais", diz.

Aos 63 anos, boa parte dos quais dedicados ao jornalismo, Abramo não poupa a imprensa - pela displicência na fiscalização do poder local, hoje responsável pela execução do orçamento público -, defende a Lei de Licitações brasileira ("uma das melhores do mundo") e diz que um dos poucos avanços no combate à corrupção é a Controladoria-Geral da União (CGU), criada no governo Fernando Henrique Cardoso e fortalecida no governo Luiz Inácio Lula da Silva. A seguir, a entrevista concedida ao Valor:
 
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