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Porto Alegre, sexta-feira, 4 de setembro de 2009 |
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| Livros: Onde o passado tem futuro. Chega ao Brasil “A Conjura”, primeiro romance do angolano José Eduardo Agualusa; por UBIRATAN BRASIL | Agência Estado |
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Em 1989, a literatura angolana foi surpreendida com A Conjura, primeira obra literária a debruçar-se sobre a sociedade crioula de Luanda no final do século 19 e estreia do escritor José Eduardo Agualusa – que só agora chega ao Brasil, em edição da Editora Gryphus (190 páginas, R$ 35). Em seis capítulos, o autor de O Vendedor de Passados (2004) descreve a rotina dos moradores da velha São Paulo da Assunção de Luanda, para onde eram enviados os condenados e bandidos de Portugal que se cruzavam com nobres senhores africanos e seus escravos pelas ruas da cidade, entre 1880 e 1911.
– Ali estão as fragilidades dos primeiros romances, mas também algumas virtudes que só os iniciantes costumam possuir, como a paixão e uma certa ingenuidade – comenta Agualusa, um dos convidados da próxima Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, em outubro (leia mais no texto abaixo). |
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Pergunta – Como o passado ajuda a olhar o presente com menos distorção?
José Eduardo Agualusa – Tinha 26 anos quando comecei a escrever A Conjura. Escrever esse romance, pesquisar sobre a sociedade angolana no século 19, ajudou-me a compreender melhor a história recente do país. A própria gênese da guerra civil que, mais que um confronto ideológico entre esquerda e direita, foi um confronto entre campo e cidade, algo que vem do século 19. As grandes famílias escravocratas, famílias negras e mestiças, estão também na gênese do movimento independentista moderno.
Pergunta – Por que o romance histórico é forte em Angola, mas sem o mesmo peso nos outros países africanos?
Agualusa – Angola tem uma literatura muito mais desenvolvida do que os restantes países africanos de língua portuguesa. Em Moçambique, por exemplo, contam-se nos dedos de uma única mão os escritores com carreira internacional – e sobram dedos. Isso tem a ver com a História da própria colonização. Em Angola, uma porcentagem muito significativa de pessoas fala português como língua materna, e isso desde há várias gerações, o que não acontece nem em Moçambique nem na Guiné-Bissau. Há escritores angolanos, como Pepetela, que têm se esforçado por explorar os silêncios da História, mas ainda há muito o que explorar. Em Angola, o passado tem muito futuro.
Pergunta – Cruzar o imaginário cultural com a história remota e recente do seu país seria um caminho para montar um painel da complexa realidade de Angola?
Agualusa – Sem dúvida. A boa literatura não traz respostas, mas pode ajudar a colocar as questões certas. O mais interessante num país como Angola é a presença no dia a dia do imaginário popular, e toda a imensa riqueza de enredos gerados por um presente e um passado próximo, extremamente agitado. Além disso um país como Angola, jovem, cheio de vitalidade, atrai aventureiros de toda parte do mundo. É um prato cheio para um escritor.
Pergunta – Já se disse que sua relação com Angola é semelhante à de Camus com a Argélia.
Agualusa – Eu acho que a literatura, sobretudo em países como Angola, nos quais os mecanismos democráticos estão ainda pouco desenvolvidos, e onde a maioria da população não consegue fazer ouvir a sua voz, acho que num país assim a literatura tem um imperativo ético, o que não significa que deva ser dirigista. Ao escritor cabe colocar as questões, cabe promover o debate, cabe incomodar e perturbar, mas não tem de ter a pretensão de dar as respostas. |
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"Nós conseguimos destravar o país", diz Lula. Presidente concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal Correio do Povo |
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega nesta quinta-feira ao Rio Grande do Sul, onde fará uma série de anúncios de obras, visando à Copa do Mundo 2014, e melhoramentos das rodovias BRs 116 e 386. Em Brasília, ontem, falou com exclusividade para o Correio do Povo sobre o seu governo, o que fará depois de encerrar seu segundo mandato e o que realizou de obras para o Estado. O presidente disse, por exemplo, que deverá entregar, até dezembro, as obras de duplicação da BR 101 no RS. Falou da BR 392 em Pelotas, da duplicação da BR 290 entre Porto Alegre e Pantano Grande e dos estímulos para a implantação do Polo Naval de Rio Grande.
Também questões da agricultura, da exportação, do Código Florestal e as conquistas da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 foram avaliadas pelo presidente. "Conseguimos muitos avanços, destravamos o país", garantiu. Nesta visita ao RS, Lula irá a Santa Cruz do Sul e Livramento, onde, amanhã, terá encontro com o presidente uruguaio, José Mujica, na praça General Osório, na divisa do país com a cidade de Rivera. Hoje à noite, Lula deverá participar do comício da presidenciável Dilma Rousseff no Gigantinho.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi essencial para ajudar o país a avançar e a superar os gargalos e obstáculos existentes na legislação brasileira. Em entrevista exclusiva concedida ao Correio do Povo, Lula destacou os investimentos feitos pelo governo no Rio Grande do Sul, defendeu a aprovação, ainda este ano, do Código Florestal e disse acreditar no sucesso da Copa 2014 e nas Olimpíadas, que serão realizadas no Brasil. Leia os principais trechos da entrevista. |
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