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Porto Alegre, sexta-feira, 14 de março de 2008 |
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| A secretária de estado americana, Condoleezza Rice, chegou nesta quinta-feira ao Brasil para uma visita de dois dias e concedeu, em Salvador, uma entrevista exclusiva a William Waack/Jornal da Globo |
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Condoleeza falou principalmente sobre a crise na América do Sul e disse que os países vizinhos da Colômbia deveriam evitar que a narco guerrilha das Farc operem a partir de seu território.
Repetiu um antigo chavão de secretários de estado americanos, o de que o Brasil é o líder da América do Sul, o que acaba trazendo mais críticas do que aplausos.
Ela é conhecida por estar sempre sorrindo. Sorriu ainda mais ao ver o por do sol na Bahia. Ela se disse encantada com a fitinha no pulso, que iria combinar com o vestido no pulso e que o melhor mesmo seria ter vindo à Bahia sem precisar trabalhar. |
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William Waack: Você considera o Brasil um líder na região?
Condoleeza: O Brasil é claramente um líder na região. O Brasil se destaca. O presidente Lula se destaca por sua sabedoria, por sua capacidade de unir a região, por sua visão. E não apenas por sua visão sobre a região, mas também por ter conseguido melhorar a vida do seu povo e por ter relações com países como os Estados Unidos. Acho que ele vai conseguir colocar os biocombustíveis no mapa como uma maneira de resolver os terríveis problemas que estamos enfrentando de oferta de energia e mudanças climáticas. O presidente Lula é visto como um líder. O Brasil é visto como um líder - e cada vez mais como um líder global, não apenas regional.
William Waack: A senhora tem dito que o governo não se importa se o governo latino-americano é de esquerda ou de direita, mas diante das últimas críticas que Bush fez a Chavez esta posição mudou?
Condoleeza: Nós estamos aqui no Brasil e o Brasil tem um presidente de esquerda. É um dos amigos mais próximos dos Estados Unidos na região e no mundo. Eu vou para o Chile, outro país que tem uma presidente de esquerda e temos excelentes relações com o Chile. A questão não é onde você está no espectro ideológico. A questão é se você respeita valores democráticos e instituições democráticas. Você trabalha para o bem do seu povo? Para o bem dos seus vizinhos? Essas são as questões importantes para os Estados Unidos, não o quanto você é de esquerda ou de direita.
William Waack: É possível trabalhar com Chavez?
Condoleeza: Esta é uma questão de que políticas um país busca, que interesses um país busca. Historicamente nós temos boas relações com a Venezuela. E gostaríamos de ter boas relações com a Venezuela de novo. A questão é os países e seus líderes estão trabalhando por democracia, por comércio livres, por prosperidade e por justiça social para o seu povo? Eles estão respeitando seus vizinhos?
William Waack: Os Estados Unidos estão envolvidos diretamente em um conflito armado na região. Como a senhora considera as alegações de que as Farc já estariam derrotadas se não fosse a ajuda que recebem de vizinhos como Equador e Venezuela?
Condoleeza: Na medida em que as Farc, que são uma organização terrorista pela definição americana, estão operando em lugares além das fronteiras da Colômbia, os vizinhos da Colômbia devem ao povo colombiano lidar com esse problema. Não permitir que eles operem em seus territórios. E a propósito, é uma exigência da ONU que seus países membros façam tudo o que pode ser feito para evitar que terroristas usem o sistema financeiro ou territórios remotos para atacar pessoas inocentes. Os Estados Unidos são muito próximos da Colômbia. A Colômbia é uma boa parceira na região para melhorar o Ocidente.
William Waack: Por que vir a Bahia?
Condoleeza: Foi um desejo pessoal vir para a Bahia. Eu tinha ouvido falar da Bahia por anos, de Salvador, uma grande cidade e também por causa da comunidade afro-brasileira aqui, a expressão da cultura daqui. E, claro, eu sou descendente de africanos e sempre acreditei que Brasil e Estados Unidos em alguns aspectos se parecem mais entre si que do que quaisquer dois outros países no mundo. A tradição da grande diáspora européia, latina e africana, todos vivendo lado a lado, então eu quis vir para a Bahia. E posso ver que eu não estava errada. É lindo aqui. Eu só sinto ter demorado tanto a conhecer a Bahia.
Em conversas informais, Condolleza disse que os países sul americanos precisam aprender com os europeus a como evitar que terroristas utilizem zonas de fronteira e que Chávez tem sido muito prejudicial, mas que o governo americano decidiu não polemizar diretamente com o presidente da Venezuela. (JG) |
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A Bienal de Patricia Fossati Druck; por Michele Rolim/Jornal do Comércio |
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Patricia Fossati Druck é a primeira mulher a presidir uma bienal na América Latina, no caso a do Mercosul. Natural de Pelotas e formada em Jornalismo, vive entre Porto Alegre, São Paulo e o mundo. A poucos meses do início da exposição, em setembro, ela revela um pouco da mostra deste ano. |
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