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Porto Alegre, sábado, 4 de fevereiro de 2012
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| Terça Insana mostrará sua nova peça no Bourbon Country |
| O Terça Insana volta a Porto Alegre para mostrar seu novo espetáculo, "Antes que o Mundo Acabe", com exibições nos dias 4 e 5 de maio, no Teatro do Bourbon Country. 80). O tema é o fim do mundo, que, segundo a profecia maia, se aproxima. Serão mostrados cenas e textos inéditos e personagens clássicos. No elenco, Agnes Zuliani, Arthur Kohl, Mila Ribeiro e Grace Gianoukas. Ingressos: www.ingressorap... |
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| Cia Teatro Novo apresenta “Criança Pensa”, escrita por Lya Luft e Eduardo Luft.. A peça será apresentada em fevereiro no Teatro Novo DC |
A Cia Teatro Novo apresentará o terceiro espetáculo dentro da programação do Porto Verão Alegre 2012. Depois do infantil ‘Os Saltimbancos” e do texto adulto “Cama de Casal King Size & ¼ de Hóspedes”, a família poderá assistir a peça “Criança Pensa”, escrita por Lya Luft e Eduardo Luft. Dirigida por Ronald Radde, a montagem estará no Teatro Novo DC, nos dias 5 e 12 de fevereiro, às 17h.
(continua...) |
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Teatro: Foco feminino - Duas montagens do Porto Verão Alegre destacam o universo feminino. "As Balzaquianas" mostra, no teatro Carlos Carvalho (Andradas, 736), até domingo, às 21h, o encontro de duas mulheres desiludidas e q... |
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Cinema: Exorcismos voltam à cena - Pessoas possuídas por demônios são tema de 'A Filha do Mal' Crédito: PARAMOUNT PICTURES / DIVULGAÇÃO / C(continua...) |
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Cinema: O filme que comoveu os EUA - O romance de Kathryn Stockett, "The Help" comoveu os Estados Unidos e ficou quase três anos seguidos na lista do New York Times, tendo sido o mais vendido em 2011. A apresentadora Oprah Winfrey coloco... |
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Ingressos para Kid Abelha - Os ingressos aos shows do Kid Abelha em março, dia 8, no Teatro Feevale, em Novo Hamburgo, e 11, no Teatro do Bourbon Country, na Capital, começam a ser vendidos hoje no prédio 5 do Campus II da Feeva... |
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Na Usina, Encontro Outros Olhares – dança e performance - “Encontro OUTROS OLHARES – dança e performance” é um projeto da Eduardo Severino Cia de Dança para a Sala 209 da Usina do Gasômetro. A idéia é promover o intercâmbio entre artistas de dança e performa... |
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Luis Fernando Veríssimo: A vida privada do pensador; por Paulo Totti/Valor Econômico |
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Nesta casa, em 1947, Erico Verissimo começou a escrever "O Tempo e o Vento". Os filhos, Clarissa, 12 anos, e Luis Fernando, 11, acompanhavam admirados o processo de criação. Erico datilografava em espaço duplo e reservava as entrelinhas para as correções à mão. Depois passava tudo a limpo. E desenhava os personagens antes de descrevê-los em detalhes, inclusive o modo de andar, os sorrisos e os cacoetes. Assim, literalmente da sua pena, nasceram Ana Terra e Capitão Rodrigo ("O Continente"), Luzia Silva e Carl Winter ("O Retrato"), Sílvia e Toríbio ("O Arquipélago"), um romance em trilogia que levou 15 anos para ser completado e que conta melhor 150 anos de história do Rio Grande do Sul do que todos seus historiadores.
Mais tarde, Erico levou o escritório para o andar de baixo - o escritor, fluente em inglês, o chamaria de "basement", pois é isso mesmo que parece, um porão perfeitamente habitável que aproveitou o declive do terreno. Vista de fora, numa rua ainda tranquila do bairro de Petrópolis, em Porto Alegre, a casa simples, com modestos jardim e quintal, é a mesma que o autor de "Olhai os Lírios do Campo" comprou em 1942. A pequena sala de visitas foi ampliada com a anexação de uma biblioteca, e o antigo local de trabalho de Erico é a sala de jantar.
No porão, o último escritório de Erico está intacto. Curiosa e algo vocacionada para a arqueologia, Lúcia, a carioca de olhos verdes que Luis Fernando conheceu há 49 anos, mandou escavar além da parede dos fundos e percebeu que os alicerces sustentariam mais um cômodo. Nele instalou uma despensa e descobriu que a temperatura ali não ultrapassava os 16 graus, ideal para a preservação de vinhos de boa cepa. É da adega de Lúcia que vem o carmenère chileno Tarapacá Gran Reserva 2009, para o almoço com que o casal recebeu a reportagem para este "À Mesa com o Valor".
"Fui redator de horóscopos. Era sempre o mesmo texto, só trocava os signos, até descobrir que as pessoas leem o horóscopo inteiro"
E foram instalados mais dois quartos contíguos ao escritório de Erico. Num deles, onde Luis Fernando trabalha, nasceu a Velhinha de Taubaté, a única brasileira que acreditava no governo da ditadura, em certas privatizações de FHC e que veio a expirar a 25 de agosto de 2005, dia em que seu derradeiro ídolo, Antonio Palocci Filho, foi defenestrado pela primeira vez do Ministério. Seu criador escreveu no obituário: "Ela morreu na frente da televisão, talvez com o choque de alguma notícia. Mas a polícia mandou os restos do chá que a Velhinha estava tomando com bolinhos de polvilho para exame de laboratório. Pode ter sido suicídio."
No outro quarto, Luis Fernando ensaia com seu Jazz 6, que o solista de sax alto descreve como "o menor sexteto musical do mundo", pois só tem cinco membros. Mas isso não é o mais estranho. Na juventude, fez parte do Renato e Seu Sexteto, que tocava em bailes de debutantes e se intitulava o maior sexteto do mundo, pois tinha nove músicos.
O saxofonista queria ser trompetista como seu ídolo Louis Armstrong. Mas, aos 16 anos, na escola de música onde estudou em Washington não havia trompete para emprestar aos alunos. "Só saxofone. Então foi saxofone mesmo, como o de Charlie Parker."
A casa tem quatro quartos no andar de cima e a Luis Fernando parece que falta algo. "De repente, isto aqui ficou grande."
O pai morreu em 1975; a mãe, Mafalda, há cinco anos. Luis Fernando e Lúcia viram os três filhos, Fernanda ("ela tem 47 anos agora; eu acho"), Mariana, 44, e Pedro, 40, crescerem nesse espaço. Faltavam netos. A filha de Fernanda, Lucinda, chegou há apenas três anos e meio. Depois de ter andado pelo mundo, com a mãe e o pai, Enzo, um inglês, a neta mora agora num apartamento das proximidades. Loirinha de olhos azuis, que sorri muito, mas não fala com estranhos, a única neta visita os avós todos os dias. No fim da tarde, porém, vai embora e leva o bulício para a própria casa.
"Só eu e a Lúcia. Muitas camas vazias..."
Não é propriamente um lamento, mas constatação. Luis Fernando, sabe-se, não é de lamentar-se. Ele cobriu todas as Copas do Mundo desde 1986, sempre enviado pelos meios de comunicação em que trabalhou ou trabalha - "a revista 'Playboy' foi a primeira, e eu tinha que explicar a todos os porteiros o que a 'Playboy' estava fazendo lá". Ficou feliz com as vitórias e frustrou-se com as derrotas. Mas não chorou lágrimas de esguicho como um personagem de Nelson Rodrigues ao ver no Estade de France a seleção brasileira perder por 3x0 para o time de Zidane em 1998. Também não o viram gritar "é téétrrra! é téétrrra! Acabooou!", quando a mesma seleção ganhou nos pênaltis da Itália em 1994 nos Estados Unidos. Sua voz é mansa; o tom, baixo.
Mais do que econômico, Luis Fernando é absolutamente avaro no falar. "A timidez, a dificuldade de me comunicar pela fala, me prejudica. Gostaria que não fosse assim. Mas, com esta idade, não dá mais para mudar, não é mesmo?"
Com o lançamento de "Em Algum Lugar do Paraíso" - seu 73º livro, o 29º pela editora Objetiva - ele tem, porém, aparecido em declarações aos jornais e até voltou à "Playboy", desta vez como entrevistado.
"Não sou um cara que tem a piada pronta na ponta da língua. Meu humor não é espontâneo. É uma coisa mais pensada, uma técnica"
O convívio com jornalistas começou em 1967, quando, graças às relações da família com Paulo Amorim, diretor do jornal, lhe ofereceram a vaga de copydesk na "Zero Hora" de Porto Alegre. Reescrevia matérias, fazia um guia de bares e restaurantes, redigia até horóscopo - "Era sempre o mesmo texto, só trocava os signos, até descobrir que as pessoas leem o horóscopo inteiro, o do próprio signo e o dos outros." Foi até editor de "frescuras", como se dizia na época dos assuntos tratados na seção cultural. Por isso conhece as redações por dentro e, afável, não se recusa a dar entrevistas, mas prefere fazê-lo por e-mail (antes era por fax).
"Escrevendo me expresso melhor. Numa entrevista como esta, espontânea, a gente acaba dizendo bobagem. Na entrevista cara a cara para o 'Estadão', por exemplo, disse que determinada revista se transformou num boletim da direita brasileira..."
-... Ou do Tea Party americano.
- Exato. Mas me arrependi. Por que procurar mais uma briga? Uma briga boba, né? Por e-mail você recebe as perguntas, pensa no que vai responder, reescreve, corrige. Por escrito, as respostas são mais responsáveis.
O que mais o assusta é entrevista na TV. Ainda estávamos na biblioteca, antes do almoço, quando Lúcia avisou que telefonaram da GloboNews para suspender a entrevista do dia seguinte, no Rio, porque o entrevistador, Edney Silvestre, adoecera. "O que ele tem?" "Disseram que não é nada grave, mas a entrevista foi adiada." Luis Fernando parece aliviado. E só então se manifesta o cronista, o excelente intérprete das emoções próprias e alheias: "Eu ia dizer que bom, mas... coitado".
O livro que acaba de chegar às livrarias, e já aparece na lista dos mais vendidos, é uma coletânea de crônicas. Nelas, Luis Fernando exibe, como diz a contracapa, a costumeira "tremenda elegância narrativa" e o "humor refinado". Um dos momentos "hilários" - como diria o Boca, genro bicho-grilo da série Família Brasil, criada quando o cronista estava certamente "com preguiça e preferia desenhar a escrever" - é de "O Verdadeiro George Clooney". O autor confessa a inveja que tem do ator bonito, charmoso, rico, adorado pelas mulheres. Diante de tanto sucesso, escreve: "Só nos resta a calúnia". São quase dez os defeitos que ele inventa e proclama, do mau hálito ao suspeitíssimo fato de Clooney, aos 50 anos, continuar solteiro. Na última linha, injúria e difamação chegam ao paroxismo, e a oportunidade de botar a política no meio não é desperdiçada: "Além de tudo, tem seborreia e é republicano. Passe adiante". |
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